“o melhor da vida é isso e ócio”

Postado em Uncategorized em Janeiro 18, 2009 por Milena

[acordei com a luz que entrava pela janela. puta sol forte do caralho. apesar que estava bem legal, saca? levantei e fui dar um mijão. meu pau tava meio ardido na cabeça e dolorido. estava vermelhão, saca? antes que terminasse meu mijão, ela me abraçou por trás, mordeu minha nuca e segurou meu pau enquanto eu ainda mijava. ela não faz aquelas idiotices de balançar enquanto você ainda está mijando. ela curte segurar um pau, como se fosse dela, coitada. ela sabe cuidar do fulano, se é que você me entende... hehehehe] 

- Bom dia, dá pra me levar em casa?

- Mas já? Antes de você ir, poderíamos dar mais uma, não acha?

- Me leva?

 [adoro mulher assim. não diz que não e não abre mão do que quer. só cede quando quer. faz o que quer. e banca a ousadia das provocações. se ela já não tivesse passado na mão de tantos, eu casaria. sério velho.]

 [coloquei uma berma, assim, sem cueca mesmo e a primeira camiseta que encontrei. saí de chinelão e desci pra tirar o carro e deixar ela em casa. a velha piranha que mora na frente ficou me olhando estranho. no mínimo ela quer que eu dê um trato nela, mas comigo não jaburu, eu tô fora de velha caquética. a menos que role uma grana na parada. sim porque o pau com mulher velha só sobe quando vê verdinhas. e muitas verdinhas.]

 [chegamos bem rápido na casa da prima. a cidade ta meio murcha e eu não sei porque. to meio perdido no tempo desde que saí do trampo há um ano e meio. meus velhos mandam uma grana na minha conta todos os meses, tipo mesada, saca? a prima desceu sem dizer nada, sem se despedir ou sem um beijinho no rosto. era como se eu fosse um taxista e ela a passageira metida que já tinha pago a corrida.]

 [o bom de passar a noite com esse tipo de mina é que no dia seguinte elas não esperam que você ligue, não acorda querendo tomar banho com você ou esperando que você faça romantismos baratos tipo, levar café na cama. é só o sexo, uma soneca, um mijão e no máximo uma carona no dia seguinte se ela dormir contigo. na maioria das vezes elas vão embora assim que gozamos. esse é o bom da mulher atual, elas são independentes, sabem o que querem e só querem mesmo é uma boa trepada por semana.]

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Vá à merda

Postado em Uncategorized em Janeiro 9, 2009 por Milena

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Os relacionamento são pautados na efemeridade, na inconciência de si em si, na liquidez, já diria Bauman.

Quando se escolhe ir contra a maré do individualismo exarcebado e agir de acordo com compromissos abandonados, embora corretos do ponto de vista de nossos pais, o resultado é a retomada de conflitos com o outro que são simplesmente inexistentes nas relações ocasionais. Sim, faz parte da efemeridade a fuga do amadurecimento das relações e, sabe-se há muito, que amadurecer é errar, é perpetuar, é apreender, é perdoar e esquecer. Nada de tarefas fáceis, o compromisso é sério e as consequências são sólidas.

Recore-se, assim, ao questionamento de valores, o que realmente vale a pena e o que precisa ser superado. Quando é o tempo?

Conclusão: estou de saco cheio de namorados que optam pelo efêmero e não gostam de sexo.

Antecedendo a Ira

Postado em Uncategorized em Janeiro 3, 2009 por Milena

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Acordei azeda, com um puta mau hálito do purgatório de Dante. Levei doze segundos pra entender onde eu estava. Estava deitada numa cama de colchão de espuma barato. Olhei pro cara que dormia ao lado e eu não lembrei quem era. Olhei pra frente e vi o banheiro. Quando saí da cama, fiz um malabarismo para não tropeçar numa mina que estava deitada no chão, nua. Orgia de novo? Que puta merda!

 

Me olhei no espelho do armarinho enferrujado. Eu não reconhecia aquela figura. Estava parecendo uma puta barata da Augusta. Minhas olheiras estavam salientes, meus lábios inchados, sobrancelhas sem desenho, cabelo sem corte, estava pálida. Estava nojenta e pra piorar tudo, eu tinha cheirado.

 

Sentei no vaso cor de rosa e dei um mijão gostoso. Quando fui me limpar senti aquele cheiro de azedo de camisinha barata misturada com porra. Mesmo cheirada eu usei caminha, menos mal! Precisava de um banho e urgente. Fucei num armário caquético no canto do banheiro buscando por uma toalha limpa e encontrei uma toalha colorida, meio dura da lavagem com sabão mal dissolvido e seca no varal. Servia, no final das contas. O cheiro era de roupa limpa, ao menos.

 

Abri o box. Um xampu desses vendidos em litro cantou “Welcome My Son”. Puta cheiro enjoado de babosa. Nem sinal de condicionador. O sabonete tinha vida própria na saboneteira; cantava feliz cheio de pentelhos enormes! Puta que o pariu!

 

Voltei a mexer no armário a procura de um sabonete novo. Quando fui fechar uma das gavetas, a prateleira do armário caiu e fez um baita estardalhaço do inferno. O cara acordou e veio ver o que se passava.

 

-          Preciso de um banho. Estava pegando um sabonete…

 

Ele grunhiu ainda dormindo, virou de costas e mijou fazendo um barulhão. O cheiro de mijo de homem de quinta invadiu o banheiro e eu corri pro chuveiro. Porra, como eu fui parar ali?

 

Abri a embalagem do sabonete e era um desses Palmolives da vida. Seguindo o estilo do fulano, eu esperava um sabão em barra desses de lavar roupa pra tomar banho.

 

Dois minutos depois que entrei no box, o cara resolve me acompanhar no banho.

 

-          Será que você pode esperar eu terminar? – e já fui empurrando o cara pra fora do box.

 

Cacete, eu não divido chuveiros com fulanos esquisitos.

 

Fechei os olhos e deixei a água envolver meu corpo, levar todo o sebo que me incomodava e fiz um pequeno esforço pra lembrar como eu chegara até ali. Em vão. Não lembrava nem como tinha começado a noite.

 

Saí do chuveiro e ele estava deitado na cama com os braços em volta da cabeça. A mina ainda estava deitada no chão. A luz que vinha da televisão mostrou que tinha mais um cara no quarto e outra mina.

 

-          E aí gata, pronta pra mais uma?

 

Eu o teria matado se estivesse armada. Depois esquartejaria seu corpo, colocaria tudo dentro de uma mala e atearia fogo. Em definitivo, preciso melhorar meus parceiros.

 

-          Não gato estou meio ardida, não quero ficar assada.

 

Ele sorriu como se tivesse conquistado o Everest. Eu segurei pra não jogar o vaso de flores de plástico empoeiradas na cara dele. Que sujeito!

 

Ascendi a luz e comecei a busca pelas roupas que eu estivesse usando. Encontrei um dos meus vestidos e um pé de uma das minhas sandálias novas. Quanto desperdício com esses furados.  Pensei em procurar minha calcinha e sutiã, mas àquela altura eu só queria sumir dali o quanto antes.

 

-          O que foi gata, já vai embora? A festa foi curta demais, podemos prorrogar até o dia amanhecer.

-          Me diz, quem é você e que porra de lugar é esse?

-           

Ele sorriu e em seguida riu uma gargalhada vadia.

 

-          Assim você me ofende, gata! Não se lembra da festa do Perón, dos amassos na sala dele, na escada de incêndio?

-          Não. – tentei ser fria e sem expressão.

-          Como não lembra? Não cheiramos tanto assim!

-          Eu não cheiro, não viaja.

-          Não cheira pouco, você quer dizer?

 

Quem esse porra de sujeitinho vadio de dentes tortos pensa que é?

 

-          Que merdinha você pensa que é? Não estou interessada em repetir nada do que eu tenha feito, seja lá que merda eu tenha feito.

 

Tropecei na mina que estava na beira da cama dele e explodi. Dei um pontapé bem no meio do estômago dela, peguei a porra do vaso de merda e joguei na parede em cima dele, a merda do lugar era tão infame que não tinha mais nada onde eu pudesse descarregar minha ira.

 

A essa altura o cara deitado no chão estava olhando perplexo e perdido e confuso e chapado como eu estava nos quarenta e sete minutos anteriores. Só vendo pra crer; o cara estava com pupilas do tamanho de azeitonas verdes. Não o reconheci. A mina ao lado dele respirava profundamente e a outra, deitada no pé da cama, sequer se mexeu.

 

Saí batendo perna e com o vestido e sandálias nas mãos. Não esperei o elevador, desci as escadas e depois de uns quatro andares, coloquei o vestido. Quando cheguei na portaria o porteiro me olhou maliciosamente como se me conhecesse há anos… Dei uma ordem com o olhar para que ele abrisse o portão e ele a obedeceu amargando o sorriso.

 

Não tinha idéia da porra de lugar que eu estava. Pelos prédios e pelas casas, era um bairrinho desses de classe C, mas não tão fuleiro a ponto de não passar táxi. Caminhei por quatro quarteirões até chegar numa avenida. Parei num posto de gasolina e perguntei por ponto de táxi.

 

-          Olha dona, ponto de táxi, aqui, só uns dez quarteirões pra cima.

 

Era só o que me faltava.

 

-          Vem cá, onde eu estou?

-          Dona, aqui é Tatuapé.

 

Ótimo. Agora dava pra eu chamar um táxi contratado. Eu teria de esperar uns trinta minutos até a unidade chegar e… Porra, não dava, cadê minha bolsa?

 

Vingança 2.0

Postado em Uncategorized em Outubro 18, 2008 por Milena

[vontade de virar essa mesa em cima dela e dar um tapas nessa vadia pra ver se ela aprende a não torturar homens indefesos. porra! toda mulher sabe que homem não fica sem trepar. e eu estou porque ela fecha o cerco a minha volta. estava acima de todos os meus limites e isso estava mais que claro a ela. pensei seriamente em levantar e sair batendo os pés, mas, se eu não entrasse no jogo dela, fico sequer sem a chance de come-la. vou tentar.]

- Por que estamos juntos se a única coisa que nos une não existe há três semanas?
- Ah, não sei. O que é o que nos une?

[que joguinho mais sem vergonha! filha da puta. eu te cato. eu já sei que toda essa sua angelicalidade era proposital para que eu fique aos seus pés. essa vadia não quer foder no sentido gostoso, agora vai se foder no pior dos sentidos]

- Sua boceta e o meu pau. Em outras palavras, sexo.
- Como assim? Eu sou apenas uma boceta pra você?
- Não, que absurdo! Como pode pensar uma coisa dessas?
- Você acabou de dizer!
- Você não é apenas uma boceta, minha querida… É uma boceta limpa! Acha que isso é fácil de se encontrar hoje em dia?

[tomei dois tapas na cara. dois tapas ardidos, velho. saí sorrindo da casa dela com as maçãs vermelhas. eu tava puto, mas sorri porque aquela vadia ta enlouquecendo. ela realmente achou que eu caí no conto da mulher pra casar? vadia não pode ser burra; essa é uma regra que não permite exceções.]

[entrei no carro, e dirigi. me mijei quando pensei nela urrando no telefone com uma amiga, ou chorando, ou fazendo qualquer merda. a máscara de santa esfarelou e ela viu realmente quem é. eu deveria voltar lá e dizer "muito obrigado por me fazer rir tanto". que otária, velho.]

[parei num posto de gasolina com loja de conveniência. fiz um desses lanches congelados, comprei um sorvete e duas latas de cerveja. na hora de pagar tive vontade de jogar o guardanapo na cara do caixa gordo e seboso, cuspir o caroço a azeitona na testa dele e sair sem pagar. fui cuzão, beleza? voltei pro carro e abri o sorvete. quatro mordidas depois fiz questão de jogar o palito pela janela. e a embalagem também, porra.]

[parei na casa de um parceiro pra pegar uns vídeos e resolver parcialmente minha seca de três semanas. quem abriu a porta foi a prima dele. ganhei a noite, velho! essa vadia adora ser puta! provoca até o pau explodir. ao contrário de outras que só sabe provocar, ela banca a putisse.]

[pra ser vadia além de inteligente, tem que ser gostosa, dar bem e bancar provocações. aprendam a regra gatinhas ;)  ]

Carpe diem especial: em Neverland não existem conseqüências.

vagueando

Postado em Uncategorized em Outubro 18, 2008 por Milena

pensei em chutar o balde, derrubar as flores, quebrar o espelho com meu copo. pensei em dar um soco, em gritar palavrões e a beijar intensamente e seguir mordendo os lábios com força, para machucar, sentir gosto de sangue. pensei em acordar e correr nu pelo prédio a ponto de ser preso e, na cadeia, experimentar sexo violento. pensei em castrar-me de uma só vez. pensei em urrar quem sou, me enterrar vivo, pular de cabeça no poço, mergulhar numa cachoeira rasa. pensei em ligar pra fedelha e dizer o quanto ela é importante, o quanto estou triste, e o quanto gostaria de tê-la em meus braços. pensei que ela estivesse com outro, com outra, com outros em universos paralelos aos meus que jamais conhecerei. pensei em solidificar essa liquidez que me mata, em tomar veneno e… deixar de ser ridículo. Tomar no cú? O caralho!

Sentei no micro buscando palavras que amenizassem meu vazio, explicassem como estou e elas me escapavam entre as pontas dos dedos antes que um pensamento se concretizesse. Não conseguia escrever sequer uma frase. Sentia o gosto daquela fedelha escorrendo pela boca, o cheiro do sexo invadindo o escritório, senti sua língua percorrendo meu peito, meu pescoço, mordendo minha orelha. Meu pau endureceu na calça e fechei os olhos tocando uma punheta em homenagem a minha fedelha. Fantasiei uma de nossas transas e broxei em seguida. A lembrança de sua boca proferindo aquelas palavras dissipava qualquer tesão.

Eu estava perdido dentro das minhas próprias palavras, dentro do meu próprio espaço, dentro de mim. Perder-se em si é final de ciclo, uma tortura angustiante que até passar, sangrará a alma. Impiedosamente. Fedelha.

Quando em fuga para Neverland, o carpe diem suga qualquer coisa que lhe pareça jovial.

Vingança II

Postado em Uncategorized em Setembro 30, 2008 por Milena

Acordei com a claridade. Minha cabeça latejava e eu não lembrava como chegara até ali. Olhei pro lado e aquela vaca estava lá e, pra começar mal o dia, estava babando no meu travesseiro. No meu travesseiro.

Levantei, coloquei a cueca, fui até a cozinha. Como cheguei aqui com essa vadia? Liguei o rádio e passei um café.

Lentamente recordei da porta que fechava atrás de mim. Das palavras grosseiras, da minha insensatez em abrir meu coração àquela fedelha filha da puta. Agora começo a lembrar… saí perdido, liguei pra essa vadia aqui e enchi a cara. Senti uma pontada na nuca. Fechei os olhos, respirei fundo tentando aliviar a dor e, quando abri os olhos, a vadia estava de pé e nua na minha frente.

- Ainda precisa de afeto como mulheres na TPM?
- Não. Você foi ótima ontem.

Ela percebeu meu sorriso canto de boca e beijou minha testa passando suas mãos delgadas e frias no meu peito nu. Perguntou o que eu queria comer no café da manhã e sorriu maliciosamente.

- Só vou tomar café, uma ducha e correr para o escritório.

Recebi um olhar como se fosse de Júpiter.

- Eu dei e foi gostoso. Agora eu não existo? É essa a regra?

Virei os olhos e dei de costas. Mulheres esquecem que ao liberar pros homens estão concordando com o nosso descomprometimento natural. Se antes as mulheres, para serem direitas, precisavam ser virgens, hoje elas também precisam ser virgens para serem direitas. Ou quase virgens. Como desenhar para essa vadia que a regra praticamente não mudou na nossa cabeça?

- Pense como quiser.

Tive vontade de mandá-la pro chuveiro, mas burra e ninfo como sempre fora, corria o risco dela entender que eu queria uma ducha com ela.

- Se arrume. Eu saio em 10 minutos. Minutos masculinos.

Corri pro quarto e enquanto estava na ducha, a ouvi resmungando, fungando, e, derrubando tudo o que podia. Quando terminei a ducha, ouvi a porta da frente bater com força. Respirei aliviado.

O quarto estava virado. Eu ignorei. Me arrumei e quando desci, estranhei a garagem repleta de carros. Puta que a pariu; hoje é sábado.

Voltei pro apê, me joguei na cama e olhei, pela primeira vez no dia, meu celular. Não havia mensagens, nem ligações, nem recados. Ela falava sério. Minha liquidez me fazia refém. Pensei em escrever sobre o que sentia numa crônica eficiente sobre a contemporaneidade dos relacionamentos ou qualquer outra merda. Acontece que até nisso ela tinha razão e eu, pela primeira vez em anos, temia ser descoberto.

Quando em fuga pra terra do nunca, a vingança é necessária. O simples é mais simples quando os sentimentos humanos afloram sem ética ou moral. Um carpe diem especial.

Quem, eu?

Postado em Uncategorized em Setembro 14, 2008 por Milena

 

- Nós deveríamos namorar.

- Por que?

- Porque merecemos uma relação estável.

- Por que precisamos de uma relação estável, querido?

- Só pensei que precisávamos. 

Ele estava inseguro e não conseguia mais disfarçar. Eu queria socá-lo e ele sabia disso. Sabia também que eu estava farta daquela insegurança ridícula e que se ele não sambasse bonitinho, eu iria embora.

 - Por que abrir mão da nossa liquidez, meu amor?

- Não quero mais uma vida líquida.

- Háhaha! Você é mulherengo, já passou da idade de tentar relacionamentos monogâmicos.

- Não debocha. Eu quero isso contigo, agora é diferente.

- Diferente por quê?

 Ele não conseguia explicar e eu adorava aquilo. As palavras saíam emboladas, cuspidas, sem nexo algum demonstrando toda a insegurança que atormentava o velho. Ele tentava dizer o quanto eu era incrível, compreensiva, jovial, sagaz, ao mesmo tempo em que valorizava minha complexidade e humor. Completamente perdido para um escritor conceituado. Estava hilária essa inversão de papéis e ele não escondia o incômodo e o medo que tinha de mim.

 - Se você não se encontrar nas suas próprias razões eu vou vomitá-las em cima de você.

- Do que está falando?

 Enought! Puta merda! Ele ainda tentava jogar um jogo perdido.

 - Estou dizendo que você quer um relacionamento sério só pra não ser o corno entre seus amigos. Não quer que eu saia mais com o Bruno esquecendo que você sai com a Vanessa e ainda é casado. Pensa que eu não percebi toda a sua insegurança quando nos encontrou saindo daquele motel?

- Eu…

- Agora você vai ouvir. Demora demais pra falar, chega de jogos, pensa que sou idiota? Você vem de uma época em que a monogamia era obrigatória às mulheres e os homens saíam por aí… comendo todas sem pudores ou pesares. Agora é diferente, os direitos são iguais, nós também comemos! Não lembra de 68? Você estava lá, seu velho. Agora tudo é líquido, vocês conseguiram! Eu vou continuar comendo o Bruno e se você quiser me ver, terá que concordar com isso.

- Eu não pensei…

- Você não pensa. Melhor, pensa que convence com essa historinha de intelectual-divorciado-mau-amado-infeliz. Fala sério uma única vez na sua vida de merda! Você é mulherengo e por conta da sua experiência é que estamos. Melhor, estávamos. Cansei dessa ladainha.

- Eu realmente quero um relacionamento sério contigo.

- Não, não quer. Quer a minha exclusividade e esquece que precisa dar conta para tê-la. Você é um jornalista medíocre e ruim de cama que não sabe escrever e morre de medo que alguém descubra.

- Quem é você?

- Quem eu quiser ser.

Como e regurgito quando não satisfeita. Enceno, sorrio, tripudeio, encanto, encontro, realizo. Eu carpedio  nos limites do coração. Meu graal.

Avareza – parte 1

Postado em Uncategorized em Setembro 8, 2008 por Milena

Vi pelo identificador de chamadas que era ele. Pensei em não atender, fingir estar ocupada, ou qualquer outra desculpa. Estava vivendo um final de semana de solidão, retomando lembranças e cheiros do passado. Estava entretida com sentimentos que há muito se foram e assustaram no instante que mostraram-se próximos. Ele, quebraria esse encontro.

- Olá! Está em Sampa?
- Estou e querendo te ver. Está ocupada?
- Ocupada comigo mesma.
- Hmmm… entendi.

Merda! Ele desiste fácil. Também como não desistiria? Eu preciso parar com essas respostas fechadas.

- Pergunta pra você mesma se você não tem duas horinhas pra mim. Prometo que será apenas um filme, nada mais.
- Estou triste.
- Novamente? Começo a acreditar que você está deprimida. Muita responsabilidade pra você…
- Não quero falar de trabalho.
- Quero te ver. Deixa?
- Não quero sair de casa.
- Está sozinha?
- Sim.

Vinte e sete minutos depois ele estava subindo. Eu tinha acabado de sair do banho e ainda estava de roupão e havaianas. Ele entrou quando eu estava indo abrir a porta.

- Nem coloque roupa, esqueci o filme em casa.

E foi assim que minha tentativa de uma crônica sobre avareza foi pro saco.

No carpediens.

Luxúria

Postado em Uncategorized em Agosto 30, 2008 por Milena

Sorrio ao encontrar um parceiro dos encontros ao ar livre. Sim, ele caiu do céu! Compramos um chocolate quente e a proposta era caminhar até nos perder, mesmo que fosse dentro de nós mesmos. Durante quinze minutos, caminhamos silenciosos mergulhados na caótica trilha sonora desta metrópole. Enquanto trocávamos olhares de cumplicidade a cidade enlouquecia, eu permanecia indiferente e ele se se atentava a todos os detalhes.   

 

-          Normal, não altere o ritmo.

-          Esse é seu problema, tudo é normal. Já disseram que você parece uma fascista?

 

Eu não quis responder porque não costumo mentir e sim, já me disseram anteriormente que tenho pensamentos fascistas. 

 

-          Percebeu essa nova intervenção?

-          Nova? Mudaram as formas, não tem nada de novo em mudar as formas, trocar a textura.

 

Não comentei novamente porque eu estava triste e ele ácido. Tristeza e acidez sempre resultavam numa impressionante quantidade de endorfina, daquelas fortes que circulam no organismo por exatos trinta e sete minutos enquanto cada parte do corpo responde independentemente.

 

-          Está tarde, melhor eu entrar nesta estação.

-          Não seja tão infeliz, vamos tomar um chá lá em casa.

 

Ele sempre fora um excelente jogador e sabiámos que a reação química seria avassaladora, talvez além do convencional. Tudo o que eu precisava era quebrar rotinas: escrever uns quatro poemas na métrica verme e me perder nos nossos cheiros. Era exatamente o que e ele propunha.

 

-          Não estou disposta a uma noite líqüida. Eu só queria caminhar, sentir o argelado nas orelhas. Não imaginei que fosse encontra-lo.

-          Você está triste. E nem pense em mentir, por favor! Não faça cara de surpresa, sem encenações; já aprendi que você não mente para as pessoas que respeita e a mim, você nunca respeitou.

 

Filho da puta. O maldito filho da puta apreendera demais sobre mim e agora lia meus movimentos com exatidão. Só podia estar perdida quando decidi extravasar minha tristeza com atividade física.

 

-          Deixe os dogmas, vai! Só tomaremos chá e escreveremos sobre… o infinito, o que acha?

-          Sabemos bem que essa tentativa é impraticável, estou triste e você ácido… Sabemos a conseqüência disso.

-          Sim sabemos. E… o que nos impede?

 

O viado disse isso revirando os olhos imitando minha impaciência. Pensei em contar. Pensei em contar que não queria mais aquela vida líquida, queria aceitar as pessoas sem preconceitos, que estava disposta a encarar o desconhecido sem medo e que estava num momento de peito aberto. Antes que tivesse tempo de decidir se eu contaria ou não, estávamos mergulhados num chimarrão de mate argentino compartilhando o mesmo amor líquido de ano atrás.

 

-          Por que hesitou por um momento em não vir?

-          Não quero mais essa liquidez.

-          Eu também cansei dela.

-          Pois não parece.

-          Eu sei que você é apaixonada por mim e você já descobriu que eu sou apaixonado por você, assim… quer largar o líquido e entrar no sólido?

-          Desenhe o sólido pra você.

-          Namora comigo?

-          Você não namora.

-          Você não se apaixona.

 

Se “o pecado é excesso do Bom” (Santo Agostinho), carpediarei no excesso sem consciência dogmática.

A inveja

Postado em Uncategorized em Agosto 20, 2008 por Milena

 

Habitualmente começo minhas narrativas no tom da dúvida se serão descrições ou poemas. Essa, por não ser diferente, amanhece caótica, seca, negra, engraçada. Sua trilha sonora é pós-punk de péssima qualidade, vale dizer. O sarcasmo que aflige parece ser fruto de uma irritação chatinha; fraca demais pra ser irritante e incômoda suficiente para bloquear pequenos prazeres.

 

Decidi não sorrir gratuitamente, nem pela profissão. Isso significa que a sacola de livros perdida na Bienal do Livro tornaria-se relevante. Sim, porque a essa altura do campeonato, cem reais já não fazem lá tanta diferença. Hoje farei com que faça, afinal, ontem todos invejaram sem pudores meu poder de compra. A única coisa que permite esse poder a mim é o poder da administração de recursos pessoais.

 

Entrei no metrô medonha e completamente invisível. Sentei de pirraça no único lugar que não sento: assentos reservados de cor cinza. Sentei justamente pra não respeitar esse direito.

 

Eu não costumo sentar em assentos cinzas. Primeiro porque estou sempre lendo e interromper um capítulo antes da hora quebrando o ritmo do raciocínio é bem chato e segundo porque depois que sento no metrô quero levantar apenas para chegar ao meu destino.

 

De manhã praticamente não funciono. Acordo minutos antes pra fazer exatamente o mínimo do necessário: higiene e colocar roupa. Isso significa zero para produção e zero para combinação: saio com a primeira roupa que encontro, com o cadarço mal amarrado, jeans surrado que em mais dois dias terá vida própria, tênis sujo, camiseta com estampa que eu mesma fiz e óculos que só perdem no tamanho para capacetes de motociclista. Quero dizer com isso que não acordo mais cedo pra sair linda. Acordar cedo e sair linda são desproporcionais por natureza. A minha natureza.

 

Estou no começo do capítulo sofre a cultura midiática e suas novas criações antropológicas quando, um perfume fedido de mulher invade o vagão fazendo todos os homens desviarem o olhar. Era uma fulana loira, com cabelo tão liso que fariam camponesas chinesas sentirem-se obrigadas a fazerem tratamento capilar intensivo. Percebo que a blusa amarela e cinza salienta sua barriga de inverno. Calça botas montaria pretas, combinando com a bolsa e a calça combina com a sacola a tira-colo. Na cabeça prendendo os cabelos, a maldita conseguiu encontrar um óculos maior que o meu sem ser capacete ou Dior! A maquiagem era digna de profissionais da moda.

 

Para uma produção daquelas, era necessário, no mínimo, uma hora e meia de preparação. Porra! Eram sete e meia da manhã! Ela não dormiu? Dormiu sim! Olheiras de noites mal dormidas não somem totalmente apenas com o corretivo e gelo, sempre sobra uma sombra delas e aquela fulana não tinha sequer cheiro de olheira. A sacola era de faculdade, então, ela trabalhava e estudava como eu.

 

Fiquei na pilha. Pensei na velocidade da velocidade da luz³.

 

Levantei meus óculos que revelaram um olhar maternal. “Desculpe Senhora, não percebi a gravidez”. Falei e fui levantando toda atrapalhada para ela sentar. Cada movimento atrapalhado fora rigidamente encenado para uma perfeição cômica. Ela pensou em dizer que não estava grávida, era tudo engano, mas era tarde, todos os homens mudaram o olhar e a observavam como jovem mãe. Jovem demais! Agradeceu com um sorriso amarelo sem sabor e sentou. Sentou e abaixou os óculos. Sorri ternamente para a barriga e para ela. A fulana ficou sem entender e ruborizou. Aposto que amanhã ela não usará cores e modelos que não estejam equilibrados com seu peso de inverno.

 

Carpe diar perto do graal não tem preço!